Quando em 15 de outubro de 2017 um devastador incêndio nos levou 86% do nosso Pinhal do Rei, o sentimento de perda que nos atingiu ficou marcado na vida de todos quantos conhecíamos e amávamos este espaço. Depois, consoante assistimos à última queda da caruma, transformando o negro do carvão num imenso mar de dourado, um sentimento outonal de paz foi substituindo, pouco a pouco, a revolta e frustração.

Poderá haver esperança depois deste fogo? Saberão aqueles que têm a Mata Nacional a seu cargo honrar a herança dos nossos antepassados? Estará o nosso país preparado para reerguer das cinzas a sua maior e mais antiga floresta?

São perguntas legítimas cujas respostas provam ser, inquietantemente, ambíguas. A aparente boa vontade das instituições que vamos lendo, aqui e ali, na comunicação social, parece não corresponder a ações concretas no terreno. A possibilidade está lá e, desta vez, podemos fazer tudo bem. Um recomeço é sempre uma oportunidade! Que não seja uma oportunidade perdida, é o nosso sincero desejo.

A sociedade civil também tem uma palavra a dizer. Desta vez, finalmente, parecem ter surgido grupos de cidadãos organizados, com ideias e reivindicações legítimas. Essa é uma ação legítima e insubstituível. Mas não é, certamente, a única.

Outra forma de lutar pela defesa do Pinhal do Rei é dá-lo a conhecer. Longe da Marinha Grande e de Leiria, o real conhecimento sobre a nossa mata é escasso. “Uma floresta de pinheiros mandados plantar por D. Dinis”? Este site pretende ir um pouco mais longe. Para todos quantos queiram descobrir o verdadeiro Pinhal de Leiria, os seus recantos únicos, os seus sete séculos de história, as lendas, as personalidades, a vida de todos quantos foram tocados pelo suave murmurar do vento nas copas dos pinheiros, as camarinhas, as dunas de areia branca, o cantar dos pássaros, os piqueniques de verão, os esquilos, as memórias… Porque o Pinhal não são só árvores e nem tudo o fogo nos levou.


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